Amiga, tenho a impressão tão grande que já passamos por tantas coisas em três anos de amizade que preciso perguntar: são só três anos? Nós mudamos tanto e permanecemos as mesmas. Tem um verso do Jack Johnson que diz "e se tentarem te dizer que o amor enfraquece com o tempo, diga para eles que o tempo não existe, é nosso tempo" e eu vejo nossa amizade justamente assim, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Afinal temos. Essa é a melhor parte de termos planejado uma vida inteirinha compartilhada.
Acho que grande parte dessa impressão de termos vivido muito mais se deve a nossa intensidade. Como somos intensas! No terceiro mês já tínhamos data de aniversário de amizade, um slogan, um poema, intermináveis cartas trocadas (em nossos scraps) e promessas de que deveríamos durar tempo suficiente para eternizarmos uma na outra (com seu presente de aniversário). No oitavo mês (nono se você contar com intensidade) você já sabia mais sobre mim do que eu imaginava ter te contado. Você me fez chorar antes do almoço e borrou minha maquiagem. Você me proporcionou meu tipo de riso preferido, aquele entre lágrimas. Você me fez um pedido de aniversário, você me pediu uma música. Você me fez querer ficar pra sempre naquele momento. Você me surpreendeu. Como você conseguiu escrever pra mim por quinze dias seguidos? Eu tento toda data te superar, sempre falho. Você me fez querer responder todo o seu diário de presente pelo skype, você me fez falar por horas e ficou em silêncio me ouvindo. Só o Romeo respondia aos meus monólogos, você lembra? A gente fez a nossa primeira tentativa de vermos um filme juntas naquele dia, meu filme preferido. Era domingo. Você me fez te almar a cada dia. Nós éramos tão dupla mas viramos trio, éramos nós contra o mundo, as superpoderosas. Eu era o recheio do sanduíche com prazer. Obrigada por ser o pão debaixo, obrigada por ter nos sustentado até onde foi possível. Eu tentei nos manter juntas, fazer a ligação. Nós tivemos a nossa primeira briga em algum momento do primeiro ano. Foi a briga mais bonita de todas, eu tinha tanto medo de uma pessoa ser suficiente para nos separar, para tornar ruínas tudo o que construímos. Tive medo de te perder, de não sermos mais nós. E o que eu mais odiava em tudo é que nunca quis que você tivesse que escolher, nunca quis que nossa amizade sacrificasse o bem-estar de outra. Mas nós sobrevivemos, nós vivemos e nos fortalecemos. No seu aniversário, o décimo primeiro mês, eu pude cumprir minha promessa. Até cantei! Queria tanto que você se sentisse pelo menos 10% como eu me senti. Queria estar com você, queria poder te dar um abraço. Quando o nosso primeiro ano chegou você me deu o melhor presente de todos: você me deu um futuro. Você fez planos por nós, planos que não podiam ser mais nós. Você me deu o primeiro vislumbre do nosso para sempre. E eu o almei. Queria estalar os dedos e poder me transportar àquele futuro. Ainda quero. E nosso poema se tornou livro. Nossa história merecia ser best-seller. Eu diria que o segundo ano foi o mais difícil, nós estávamos distantes. Não estar no fake fez com que a nossa distância parecesse maior, mas sempre estivemos perto. Perto em pensamentos, perto em palavras, perto lendo sobre cada momento ordinário da vida uma da outra. Você me deu palavras quando eu achei que ia se esquecer, que tola eu! Você nunca esquece. Aguardava ansiosamente pelas cartas, tinha vontade de pular de alegria quando elas finalmente chegavam. Eu amo te ler. Amava quando você mandava as fotos, inclusive as de baton. Esse foi o ano que percebi que nunca precisaríamos de fake para que nossa amizade existisse, e isso a fortaleceu. Obrigada por permanecer de novo. Obrigada por compartilhar e me dar palavras. O segundo ano também nos deu a melhor coisa, a que mais desejamos em todos esses anos e a que mais sonhavámos e fantasiávamos sobre quando acontecesse. Um abraço! Queria que ele tivesse durado muito mais agora, queria nunca ter saído dele. Desejei tanto que pudesse te abraçar todo dia, que pudéssemos nos sentar todos os dias na praça de alimentação e contarmos sobre o que nos fazia felizes e tristes, o que mudaríamos, o que nos aflingia, queria tanto que pudéssemos naquele momento trocar tudo o que nos entristecia por mais dias de nós. Queria ter tido tempo pra ver as estrelas, pra visitar museus e nos deitarmos sob a grama. Queria mais, e ainda teremos. No terceiro ano quando eu esperava palavras no meu aniversário você me deu algo mais, você enxergou pedaços da minha alma. Você me fez acreditar em mim novamente. Você esteve presente em cada canto que foi possível. Você me tornou mais eu. E a partir daquele momento eu quis que houvéssemos muito mais de nós. Eu desejei que pudéssemos ser uma. Voltar no terceiro ano ao fake nos deixou mais românticas. Nos fez querer compensar cada momento, cada fofoca, cada filme não assistido, cada mês da amizade que se passou. Você se sentiu assim? Porque eu me senti. Quando um dia 23 acabava eu não via a hora de chegar o próximo para repetirmos a dose. Eu ficava tão feliz quando eles chegavam rápido! Amiga, são só três anos... eu fico pensando em tudo o que ainda termos pra viver, aprender e conhecer uma com a outra. Você me introduziu a um universo só nosso, me deu presentes de valor incalculável e me fez permanecer, me fez querer permanecer, me fez gostar de permanecer, me fez ansiar por permanecer. Obrigada por três anos de pura, verdade, sincera e inefável amizade. Obrigada por ser minha alma gêmea. Te almo, te almo, te almo.
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